Em resumo: em poucos meses, o setor de locação brasileiro foi medido pela primeira vez com a régua internacional e avaliado em quase R$ 50 bilhões de faturamento, segundo o Rental Market Report da KPMG para a Analoc. No mesmo período, a Mills, maior locadora do país, foi comprada pela francesa Loxam por cerca de R$ 3,8 bilhões, com prêmio de 22% sobre a Bolsa. O detalhe que muda tudo é o que essa régua mede. Não é o tamanho do pátio. É quanto da receita se repete, qual a margem e se a operação roda sem o dono. A Mills não foi comprada pela frota. Foi comprada por 55% da receita de locação presa em contratos longos e por uma margem de 51%. Essa régua chegou de fora e agora vale para toda locadora, queira vender ou não.
Aconteceram duas coisas no rental brasileiro com poucos meses de diferença, e juntas elas contam uma história só. O setor foi medido pela primeira vez com a mesma régua usada na Europa e nos Estados Unidos. E um grupo global pagou bilhões por uma locadora daqui, com prêmio sobre o preço de tela. Olhadas separadas, são duas notícias. Olhadas juntas, são um aviso: o valor sempre esteve no mercado brasileiro. Quem soube medir e pagar por ele veio de fora.
O que a compra da Mills pela Loxam revela?
Revela que existe muito dinheiro disposto a entrar na locação brasileira. Em 25 de maio de 2026, a Mills informou ao mercado a venda do controle para a francesa Loxam, a maior empresa de locação de equipamentos da Europa. O preço foi de R$ 16 por ação, um prêmio de 22% sobre o fechamento dos papéis três dias antes, avaliando a companhia em cerca de R$ 3,8 bilhões.
Não foi um lance de ocasião. A Loxam fatura 2,5 bilhões de euros por ano, opera mais de mil filiais em 28 países e já estava no BRASIL desde 2015. Segundo análise do BTG Pactual citada pela imprensa, pagou um múltiplo de cinco vezes o EBITDA estimado para 2026, considerado atraente para uma empresa do porte da Mills. A operação ainda depende do aval do CADE e deve levar a Mills a deixar a Bolsa. Em resumo, um dos maiores grupos do mundo olhou para uma locadora brasileira e decidiu que valia pagar caro.
Por que o capital de fora está entrando na locação brasileira?
Porque enxerga o que daqui poucos veem: uma pista longa pela frente. O mercado brasileiro de locação faturou R$ 49,4 bilhões em 2025 e cresce cerca de 10% ao ano, segundo o Rental Market Report da KPMG para a Analoc, com apoio da Sobratema. São 50 mil empresas, a maioria de origem familiar, num negócio que pede capital pesado e gestão profissional.
E a conta dos estrangeiros é simples. No BRASIL, a penetração da locação na relação entre alugar e comprar é de cerca de 40%, ainda muito abaixo de mercados maduros. Ou seja, ainda tem muito mais empresa comprando máquina do que alugando. Para quem vem de fora, isso não é um setor pequeno. É um mercado bilionário, em expansão, e ainda longe do teto. O capital chegou para ocupar esse espaço.
Qual é a régua nova que está medindo a sua locadora?
Não é o tamanho do seu pátio. A régua que o capital internacional trouxe mede três coisas: quanto da sua receita se repete todo mês, qual o tamanho da sua margem e se a operação roda sem o dono em cima dela o dia inteiro. O valor está na eficiência da operação e na precificação correta, não na quantidade de ferro parado.
É uma inversão de lógica. Na régua antiga, locadora grande era locadora com muita máquina. Na régua nova, locadora valiosa é a que tem receita previsível, margem alta e um negócio que funciona como sistema, não como extensão do dono. Frota grande sem essas três coisas é capital imobilizado, não valor. E essa é a parte que a maioria dos locadores ainda não internalizou: você pode ter o maior pátio da cidade e valer pouco na régua que agora manda no setor.
A prova mais cara: o que a Loxam comprou na Mills?
Comprou previsibilidade. Os números da Mills mostram exatamente o que a régua nova premia. Em 2025, a empresa fechou o ano com margem EBITDA ajustada de 51,2% e com 55% da receita de locação presa em contratos de longo prazo, uma fatia que vinha crescendo trimestre a trimestre à medida que a companhia reduzia a exposição ao mercado de balcão.
Some a isso uma dívida sob controle, em torno de uma vez o EBITDA, e uma operação tocada por gestão profissional, não pelo fundador. O que a Loxam pagou caro não foi o número de plataformas e empilhadeiras no pátio. Foi a certeza de uma receita que se repete, com margem alta, num negócio que roda sozinho. A Mills virou a prova mais cara de uma tese simples: no rental, paga-se pela previsibilidade, não pelo peso do ferro.
Por que essa régua vale para você, mesmo sem querer vender?
Porque ela não foi feita só para quem está à venda. A compra de maio não criou apenas um negócio. Criou uma referência de mercado, uma forma de olhar para qualquer locadora e dizer quanto ela vale e por quê. Essa visão agora circula entre fundos, bancos, fabricantes e concorrentes, e separa, na cabeça de quem decide, a locadora que cresce da que será engolida barato.
Você já está sendo medido por essa régua, Locador, queira vender ou não. Quando um banco avalia o seu crédito, quando um concorrente maior estuda comprar a sua carteira, quando um cliente grande decide com quem assinar contrato longo, é a receita previsível e a margem que pesam, não o tamanho do galpão. A régua subiu. E quem ainda mede o próprio negócio pelo pátio está jogando por um critério que o mercado parou de usar.
Como aumentar o valor de uma locadora sem aumentar a frota?
Trocando ferro parado por receita que se repete. Não é sobre comprar mais máquina. É sobre construir as três coisas que a régua nova mede, e nenhuma delas está no pátio. Contrato de longo prazo no lugar de locação avulsa, para a receita parar de depender do balcão de cada mês. Margem defendida com preço e disciplina, em vez de diária derretida na negociação. E uma operação que funciona com processo e gente treinada, para o negócio rodar sem o dono apagando incêndio o dia todo.
É um trabalho de tijolo por tijolo, e é exatamente o que separa a locadora que está sendo construída na régua nova da que segue presa na antiga. A análise que a gente faz na ODuo começa por aí: olhar quanto da sua receita se repete, onde a margem escapa e o quanto a operação ainda depende de você. Se quiser enxergar a sua locadora pela régua que o mercado agora usa, comece pelo diagnóstico da ODuo.
A pergunta, no fim, não é se a sua empresa vale muito hoje. É se ela está sendo construída na régua nova ou na antiga.
Perguntas frequentes
Por quanto a Loxam comprou a Mills? A francesa Loxam comprou o controle (50,3%) da Mills por R$ 16 por ação, prêmio de 22% sobre o fechamento da Bolsa em 22 de maio de 2026, em uma operação que avalia a companhia em cerca de R$ 3,8 bilhões. O negócio foi anunciado em 25 de maio de 2026 e ainda depende de aprovação do CADE.
O que é a "régua nova" que avalia uma locadora? É a forma como o capital internacional mede o valor de uma locadora: pela receita que se repete (contratos longos), pelo tamanho da margem e pela capacidade de a operação rodar sem o dono. Em vez de premiar o tamanho da frota, premia a eficiência e a previsibilidade do negócio.
Por que investidores estrangeiros estão comprando locadoras brasileiras? Porque o setor fatura quase R$ 50 bilhões, cresce cerca de 10% ao ano e tem penetração de apenas 40% na relação entre alugar e comprar, ainda longe de mercados maduros. Para grupos como a Loxam, é um mercado grande, em expansão e com espaço para consolidar.
O que a Mills tinha que valeu R$ 3,8 bilhões? Previsibilidade. Em 2025, a Mills tinha margem EBITDA ajustada de 51,2% e 55% da receita de locação em contratos de longo prazo, com dívida sob controle e gestão profissional. A Loxam pagou pela receita que se repete e pela margem alta, não pelo número de equipamentos no pátio.
Como uma locadora aumenta o próprio valor sem aumentar a frota? Construindo contratos de longo prazo no lugar da locação avulsa, defendendo a margem com preço e disciplina e montando uma operação que roda com processo, não na base do dono apagando incêndio. As três coisas que mais pesam no valor não estão no pátio.




