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Gestão 7 min de leitura 14 de out. de 2026

MEI com dois funcionários: O que muda para o cliente da locadora

Dois planos diferentes para o MEI Brasileiro, mas para a locadora, o quê muda?

MEI com dois funcionários: O que muda para o cliente da locadora
Neste artigo
  1. O Pix de R$ 5 mil é o que menos importa nessa história
  2. O que o governo Lula anunciou
  3. O que o plano de Flávio Bolsonaro propõe
  4. O detalhe que importa: dois funcionários
  5. Quem é esse cliente no balcão
  6. Comprar ou alugar: o que o dinheiro na mão não compra
  7. O que fazer agora, seja quem for o eleito
  8. Comece pelo número que você ainda não tem
  9. Fontes

O Pix de R$ 5 mil é o que menos importa nessa história

Na terça-feira, 13 de outubro, o governo federal anunciou o Prospera MEI, um pacote para microempreendedores com perdão de dívidas e um Pix de até R$ 5 mil. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro criticou a medida num encontro com empresários em São Paulo. A 12 dias do segundo turno, o MEI virou assunto de campanha.

A manchete ficou com o Pix. Para quem aluga máquina, o detalhe que pesa é outro. Ele está num projeto que chegou à Câmara em junho, antes de a campanha esquentar: o MEI vai poder ter dois funcionários.

Neste texto a gente separa o que cada lado propõe, o que já está andando e o que ainda é promessa. E mostra o que isso muda no balcão de uma locadora de linha leve. Não é sobre em quem votar.

O que o governo Lula anunciou

O Prospera MEI junta medidas novas com um projeto que já estava no Congresso. Quase tudo ainda depende de votação ou de regulamentação.

  • Perdão de dívidas com a União. R$ 12,6 bilhões em débitos de cerca de 3,6 milhões de MEIs, inscritos na Dívida Ativa até 13/10/2026. Depende de projeto de lei complementar na Câmara e no Senado.

  • Renegociação com bancos. Pendências privadas negociadas pelo Desenrola 3.0.

  • Pix MEI. Até R$ 5 mil, sem devolução, para comprar equipamento e fazer melhorias no negócio. As regras de acesso ainda não foram detalhadas.

  • Teto de faturamento. Sobe de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O projeto está no Congresso desde junho.

  • Dois funcionários. O MEI passa a poder contratar até dois empregados, contra um hoje. Faz parte do mesmo projeto do teto.

O teto do MEI está parado em R$ 81 mil desde 2018. Se o projeto não for aprovado ainda em 2026, o primeiro reajuste não começa em janeiro.

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O que o plano de Flávio Bolsonaro propõe

O plano registrado no TSE, chamado Para o Brasil Vencer o Atraso, aposta em menos Estado no caminho de quem empreende, e não em dinheiro direto. As propostas para o pequeno negócio aparecem em três capítulos.

  • Minha Primeira Empresa. Menos burocracia para abrir e formalizar o negócio, capacitação pelo Sistema S e uma esteira de crédito e serviços da Caixa que acompanha o empreendedor até o primeiro faturamento.

  • Caixa como Banco da Prosperidade. Crédito, orientação financeira e habitação num lugar só, com o programa Ganha-Ganha: quem faz curso, formaliza o negócio ou paga as contas em dia acumula pontos que viram juros menores e cashback.

  • Menos burocracia e menos imposto. Levar a Lei de Liberdade Econômica a todos os estados e municípios, fazer um revogaço de normas e revisar a reforma tributária para reduzir a carga sobre a produção.

Nas páginas sobre negócio próprio, o plano não traz valores em reais. Ao criticar o Pix MEI na terça, Flávio repetiu a linha do programa: cortar impostos e simplificar as regras para quem empreende.

O detalhe que importa: dois funcionários

Pelas contas do próprio ministério, o teto de R$ 140 mil dá uma média de cerca de R$ 11.666 por mês. Hoje são R$ 6.750. É quase o dobro de serviço cabendo no mesmo CNPJ simples.

O segundo funcionário é o que transforma esse número em obra. Um MEI que trabalha sozinho pega o reparo, o piso de um cômodo, a reforma do banheiro. Com dois ajudantes registrados, ele vira uma pequena equipe. E equipe pega obra maior, com prazo, várias frentes ao mesmo tempo e mais de uma máquina no canteiro.

Dos dois lados da eleição, a direção é parecida. Um põe dinheiro na mão e sobe o teto. O outro promete crédito mais fácil e menos papel. Os dois apostam em fazer o pequeno empreendedor crescer.

Quem é esse cliente no balcão

Você conhece ele. Chega cedo, paga no Pix, leva a betoneira na sexta e devolve na segunda. Às vezes pede um andaime, às vezes um martelete. Raramente pede orçamento por escrito.

Em muita locadora de linha leve, ele é tratado como cliente de passagem. Não tem cadastro completo, não tem histórico de quanto já alugou, ninguém liga para ele quando a obra acaba. Sozinho, ele fatura pouco para a locadora. Somados, podem ser uma fatia grande do movimento do balcão. Vale saber quanto.

É esse cliente que as duas propostas querem fazer crescer. A pergunta para a locadora é simples: quando ele crescer, ele cresce com você ou longe de você?

Comprar ou alugar: o que o dinheiro na mão não compra

Um MEI com R$ 5 mil na conta, ou com crédito mais fácil na Caixa, vai olhar para a betoneira que aluga toda semana e fazer a conta. Se ele aluga quase todo fim de semana, comprar parece óbvio.

Só que a conta dele costuma parar no preço da máquina. Ela não inclui:

  • a manutenção e a peça quando o motor falha;

  • o frete até a obra e de volta;

  • a máquina reserva quando a dele quebra no meio do serviço;

  • o equipamento que ele vai precisar uma vez só, para uma obra maior.

É aí que a locadora ganha ou perde esse cliente. Quem entrega só o equipamento compete com a loja de ferramentas, e perde no primeiro Pix. Quem entrega a obra andando, com troca rápida, entrega no horário e a máquina certa para a obra nova, dá a ele um motivo para continuar alugando mesmo com dinheiro no bolso.

O que fazer agora, seja quem for o eleito

Nenhuma dessas mudanças está valendo hoje. O teto novo, se aprovado, começa em 2027. Isso dá alguns meses para a locadora se preparar.

  1. Separe esse cliente nos números. Quanto do faturamento do balcão vem de MEI e de autônomo? Sem esse número, não dá para saber o tamanho do risco nem da oportunidade.

  2. Cadastre quem hoje é cliente de passagem. Nome, telefone, que tipo de obra faz, com que frequência aluga. É o mínimo para voltar a falar com ele quando a obra acabar.

  3. Olhe o que você entrega além da máquina. Troca rápida, entrega no horário, orientação sobre a máquina certa. É isso que a compra não substitui.

  4. Prepare a conversa da obra maior. Quando o cliente pequeno aparecer com dois ajudantes e uma obra de semanas, ele vai precisar de mais de um equipamento e de um contrato. A locadora que já tiver isso pronto sai na frente.

Comece pelo número que você ainda não tem

O pequeno cliente vai ganhar fôlego, seja qual for o resultado do dia 25. O que define se ele cresce com a sua locadora é o que acontece no balcão nos próximos meses.

Locador, se você não sabe quanto do seu faturamento vem desse cliente, ou o que ele leva além da máquina, o Autodiagnóstico da Locadora é gratuito e é um bom lugar para começar essa conta.

Fontes

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