O Pix de R$ 5 mil é o que menos importa nessa história
Na terça-feira, 13 de outubro, o governo federal anunciou o Prospera MEI, um pacote para microempreendedores com perdão de dívidas e um Pix de até R$ 5 mil. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro criticou a medida num encontro com empresários em São Paulo. A 12 dias do segundo turno, o MEI virou assunto de campanha.
A manchete ficou com o Pix. Para quem aluga máquina, o detalhe que pesa é outro. Ele está num projeto que chegou à Câmara em junho, antes de a campanha esquentar: o MEI vai poder ter dois funcionários.
Neste texto a gente separa o que cada lado propõe, o que já está andando e o que ainda é promessa. E mostra o que isso muda no balcão de uma locadora de linha leve. Não é sobre em quem votar.
O que o governo Lula anunciou
O Prospera MEI junta medidas novas com um projeto que já estava no Congresso. Quase tudo ainda depende de votação ou de regulamentação.
Perdão de dívidas com a União. R$ 12,6 bilhões em débitos de cerca de 3,6 milhões de MEIs, inscritos na Dívida Ativa até 13/10/2026. Depende de projeto de lei complementar na Câmara e no Senado.
Renegociação com bancos. Pendências privadas negociadas pelo Desenrola 3.0.
Pix MEI. Até R$ 5 mil, sem devolução, para comprar equipamento e fazer melhorias no negócio. As regras de acesso ainda não foram detalhadas.
Teto de faturamento. Sobe de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O projeto está no Congresso desde junho.
Dois funcionários. O MEI passa a poder contratar até dois empregados, contra um hoje. Faz parte do mesmo projeto do teto.
O teto do MEI está parado em R$ 81 mil desde 2018. Se o projeto não for aprovado ainda em 2026, o primeiro reajuste não começa em janeiro.
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O que o plano de Flávio Bolsonaro propõe
O plano registrado no TSE, chamado Para o Brasil Vencer o Atraso, aposta em menos Estado no caminho de quem empreende, e não em dinheiro direto. As propostas para o pequeno negócio aparecem em três capítulos.
Minha Primeira Empresa. Menos burocracia para abrir e formalizar o negócio, capacitação pelo Sistema S e uma esteira de crédito e serviços da Caixa que acompanha o empreendedor até o primeiro faturamento.
Caixa como Banco da Prosperidade. Crédito, orientação financeira e habitação num lugar só, com o programa Ganha-Ganha: quem faz curso, formaliza o negócio ou paga as contas em dia acumula pontos que viram juros menores e cashback.
Menos burocracia e menos imposto. Levar a Lei de Liberdade Econômica a todos os estados e municípios, fazer um revogaço de normas e revisar a reforma tributária para reduzir a carga sobre a produção.
Nas páginas sobre negócio próprio, o plano não traz valores em reais. Ao criticar o Pix MEI na terça, Flávio repetiu a linha do programa: cortar impostos e simplificar as regras para quem empreende.
O detalhe que importa: dois funcionários
Pelas contas do próprio ministério, o teto de R$ 140 mil dá uma média de cerca de R$ 11.666 por mês. Hoje são R$ 6.750. É quase o dobro de serviço cabendo no mesmo CNPJ simples.
O segundo funcionário é o que transforma esse número em obra. Um MEI que trabalha sozinho pega o reparo, o piso de um cômodo, a reforma do banheiro. Com dois ajudantes registrados, ele vira uma pequena equipe. E equipe pega obra maior, com prazo, várias frentes ao mesmo tempo e mais de uma máquina no canteiro.
Dos dois lados da eleição, a direção é parecida. Um põe dinheiro na mão e sobe o teto. O outro promete crédito mais fácil e menos papel. Os dois apostam em fazer o pequeno empreendedor crescer.
Quem é esse cliente no balcão
Você conhece ele. Chega cedo, paga no Pix, leva a betoneira na sexta e devolve na segunda. Às vezes pede um andaime, às vezes um martelete. Raramente pede orçamento por escrito.
Em muita locadora de linha leve, ele é tratado como cliente de passagem. Não tem cadastro completo, não tem histórico de quanto já alugou, ninguém liga para ele quando a obra acaba. Sozinho, ele fatura pouco para a locadora. Somados, podem ser uma fatia grande do movimento do balcão. Vale saber quanto.
É esse cliente que as duas propostas querem fazer crescer. A pergunta para a locadora é simples: quando ele crescer, ele cresce com você ou longe de você?
Comprar ou alugar: o que o dinheiro na mão não compra
Um MEI com R$ 5 mil na conta, ou com crédito mais fácil na Caixa, vai olhar para a betoneira que aluga toda semana e fazer a conta. Se ele aluga quase todo fim de semana, comprar parece óbvio.
Só que a conta dele costuma parar no preço da máquina. Ela não inclui:
a manutenção e a peça quando o motor falha;
o frete até a obra e de volta;
a máquina reserva quando a dele quebra no meio do serviço;
o equipamento que ele vai precisar uma vez só, para uma obra maior.
É aí que a locadora ganha ou perde esse cliente. Quem entrega só o equipamento compete com a loja de ferramentas, e perde no primeiro Pix. Quem entrega a obra andando, com troca rápida, entrega no horário e a máquina certa para a obra nova, dá a ele um motivo para continuar alugando mesmo com dinheiro no bolso.
O que fazer agora, seja quem for o eleito
Nenhuma dessas mudanças está valendo hoje. O teto novo, se aprovado, começa em 2027. Isso dá alguns meses para a locadora se preparar.
Separe esse cliente nos números. Quanto do faturamento do balcão vem de MEI e de autônomo? Sem esse número, não dá para saber o tamanho do risco nem da oportunidade.
Cadastre quem hoje é cliente de passagem. Nome, telefone, que tipo de obra faz, com que frequência aluga. É o mínimo para voltar a falar com ele quando a obra acabar.
Olhe o que você entrega além da máquina. Troca rápida, entrega no horário, orientação sobre a máquina certa. É isso que a compra não substitui.
Prepare a conversa da obra maior. Quando o cliente pequeno aparecer com dois ajudantes e uma obra de semanas, ele vai precisar de mais de um equipamento e de um contrato. A locadora que já tiver isso pronto sai na frente.
Comece pelo número que você ainda não tem
O pequeno cliente vai ganhar fôlego, seja qual for o resultado do dia 25. O que define se ele cresce com a sua locadora é o que acontece no balcão nos próximos meses.
Locador, se você não sabe quanto do seu faturamento vem desse cliente, ou o que ele leva além da máquina, o Autodiagnóstico da Locadora é gratuito e é um bom lugar para começar essa conta.
Fontes
Ministério do Empreendedorismo: Teto do MEI (teto de R$ 110 mil e R$ 140 mil, médias mensais)
InfoMoney: o que muda com o Prospera MEI (anúncio de 13/10, Pix MEI, perdão para 3,6 milhões)
Exame: governo propõe perdoar R$ 12,6 bi em dívidas de MEIs (valor do perdão, regime de urgência)
Expressão Rondônia, reprodução da matéria do g1 (cinco medidas, corte em 13/10/2026, dependência do Congresso)
Poder360: como pode ficar a nova lei para MEIs (envio do projeto em 29/06)
Diretrizes do Plano de Governo 2027-2030, Flávio Bolsonaro (PDF) (páginas 27, 30, 45 e 46)
GCMais: Flávio critica o Prospera MEI (crítica de 13/10 e promessa de cortar impostos)



